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Médicos reagem a preços aviltantes pagos por planos de saúde

Representantes de mais de 30 sociedades e cooperativas de especialidades médicas atenderam ao chamado da Comissão Estadual de Honorários Médicos (CEHM) para discutir a difícil relação com as operadoras de planos de saúde. O sentimento de revolta pelos valores aviltantes pagos pelas operadoras por procedimentos médicos marcou a Assembleia Geral Extraordinária convocada para debater o assunto. A CEHM, recém-reativada, foi autorizada a voltar a negociar com os planos, mas não está descartado um movimento de descredenciamento em massa dos médicos e adesão ao movimento nacional de paralisação, convocado para agosto pelo movimento médico brasileiro.

Desativada há cerca de dois anos, a CEHM é composta por representantes do Sindmepa, Sociedade Médico-Cirúrgica (SMC) e CRM-Pará. Nas negociações com os planos valerá o que é estabelecido pela Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM) em vigor. Hoje os planos fixam o valor dos procedimentos sem qualquer parâmetro real.

A AGE decidiu ainda que as sociedades e cooperativas abrirão espaços em suas atividades científicas para que os membros da Comissão dêem informações sobre o andamento da implementação da CBHPM e que divulgarão periodicamente a tabela com os valores aviltantes dos procedimentos praticados pelos planos.

“Não podemos mais admitir que os planos paguem valores tão indignos aos médicos enquanto enquanto os planos de saúde em 2013 tiveram um aumento exponencial no número de usuários, no faturamento e na redução de custos pela diminuição da sinistralidade e isto não é repassado aos médicos. Os planos de saúde vão entender por bem ou por mal que não sobrevivem sem médicos”, disse o diretor do Sindmepa, João Gouveia.

Representantes do setor de diagnóstico por imagem e laboratório farão reunião específica para discutir o retorno do segmento para as negociações em conjunto com a CEHM. Enquanto isso, os médicos aguardam a sanção presidencial ao PL 6.964/10, que obriga planos de saúde a realizarem contratualização e reajuste dos prestadores de serviço; e a aprovação do PLC 39/07, que estabelece critérios para edição do rol de procedimentos de serviços médicos usados pelos planos de saúde. A ideia é unificar o rol de procedimentos médicos usados pelos planos com os validados pela CBHPM.

Os baixos valores pagos pelos planos de saúde aos procedimentos médicos têm gerado a saída de várias especialidades médicas dos planos de saúde, inconformados com a desvalorização da mão-de-obra médica. A retomada de negociações via CEHM é uma forma de garantir um valor justo pelo trabalho, mas os médicos não descartam a saída em massa dos planos, caso a estratégia de negociação não surta o efeito desejado.

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