Médicos que inspiram:  A dedicação pela profissão que perdura há mais meio século
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Médicos que inspiram:  A dedicação pela profissão que perdura há mais meio século

Já imaginou se encontrar fazendo aquilo que mais ama dentro de uma profissão e não ter vontade de deixar sua carreira nunca? É o que acontece com o doutor Renato Chalú Pacheco. Médico há 61 anos, Chalú é um profissional que inspira muitos pelo seu amor e dedicação à profissão.

Aos 96 anos, ele conta que o que mais gosta dentro de sua profissão é justamente da sua especialidade, a cirurgia. Tanto que até hoje ainda faz cirurgias no hospital Santa Clara, estabelecimento do qual é um dos sócios e onde faz questão de comparecer todos os dias, quando está na cidade.

Sempre simpático e sorridente, doutor Chalú conta que nasceu na Guiana Francesa e que decidiu fazer medicina assim que chegou ao Brasil fugindo da Segunda Guerra Mundial, em que seu país estava em desvantagem.

Passou no vestibular logo na primeira tentativa, mas como seu diploma de ensino médio francês não havia sido revalidado, não pôde cursar. No ano seguinte, em uma nova tentativa de vestibular, passou em medicina e desde então, salvar vidas e ajudar a melhorar a qualidade de vida das pessoas através da sua profissão se tornou parte de sua história. “Inclusive, eu trabalhei no comitê do Charles de Gaulle [ex-primeiro ministro da França], durante a guerra, aqui em Belém, para ajudar as forçar aliadas como estudante”, recorda.

Dentre os desafios que já enfrentou dentro da profissão, doutor Chalú conta que logo depois de formado trabalhou durante 10 anos na colônia de Marituba de Hansenianos e lá teve que realizar muitas amputações de pacientes. Ele explica também que os desafios fazem parte da vida do cirurgião. “Isto é inerente à especialidade, todo paciente cirúrgico é um risco. É preciso ter muitos cuidados no pré-operatório, durante o ato cirúrgico e no pós-operatório”.

Doutor Chalú acumula uma gama de atividades no decorrer de sua carreira – além de médico em vários hospitais, foi professor de medicina na Universidade do Estado do Pará (UEPA) e professor de francês no colégio Paes de Carvalho e na Escola Prática – mas fala com um carrinho especial de sua relação com o esporte. Um fato que talvez explique sua boa disposição e longevidade. “Esta é uma parte muito importante na minha vida. A parte esportiva. Quando jovem eu joguei tênis pelo clube do Remo. O tênis ocupou minha vida inteira, inclusive eu era o chefe da Federação Estadual de Tênis. Então eu levava os jovens para os torneios no Brasil inteiro”, explica o ex-atleta. Entre os estados visitados pelos tenistas o médico cita Fortaleza, Salvador, São Paulo e Porto Alegre, além de vários intercâmbios com a Guiana Francesa.

Quando perguntado se pretende deixar de trabalhar um dia, ele afirma que pretende se aposentar no próximo ano, mas logo de salto sua esposa, a enfermeira Noêmia Pacheco, confidencia: “ele só vai parar [de trabalhar]se houver uma doença ou algo parecido. Porque ele não consegue [deixar de trabalhar]. Sempre que está em Belém a primeira coisa que faz quando acorda é tomar banho e vestir a roupa branca para vir ao hospital. Ele realmente ama essa profissão”, conta.

Doutor Renato Chalú ainda deixa um recado aos que pretendem cursar medicina e aos recém formados. “A medicina é uma profissão que exige além das condições técnicas, muitas condições morais. A ética é tudo na vida de um médico para que ele não faça igual a muitos profissionais que só visam o lucro e que mancham a reputação dos médicos”, afirma.

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