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Instalada Comissão da Verdade dos Trabalhadores do Pará

Centrais Sindicais paraenses lançaram ontem no auditório da OAB a Comissão da Verdade e Memória dos Trabalhadores no Estado, como parte das atividades do grupo de trabalho Ditadura e Repressão aos Trabalhadores e ao Movimento Sindical, criado no ano passado pela Comissão Nacional da Verdade. O diretor do Sindmepa, João Gouveia, coordenador sindical do Dieese, participou da abertura dos trabalhadores.

“O primeiro objetivo da CUT é repor a verdade dessa memória. Resgatar os direitos dos trabalhadores que tiveram seus sonhos interrompidos. Alguns pagaram com a própria vida. Tivemos duas décadas de completa perda, de confisco da liberdade”, disse a representante da Central, Vera Paoloni. Além da CUT, outras sete centrais sindicais com representação no Pará promoveram o evento em parceria com a OAB/Pa e o Dieese/Pa, a Força Sindical, UGT, Nova Central, CGTB, CTB, CSB e Conlutas.

Como representante do Sindmepa, João Gouveia parabenizou as centrais pelo evento destacando que apesar do dia 1º de abril ser pejorativamente considerado o “Dia da Mentira”, gostaria que o dia de ontem fosse transformado em Dia da Verdade e que possa se transformar em resgate da memória de trabalhadores que sofreram as agruras do regime militar com ameaças, tortura física e psicológica”. O médico destacou ainda que em um momento de democracia que estamos vivendo “que a gente possa gritar alto e bom som: ditadura, censura e tortura nunca mais”.

Também participaram da instalação o membro do GT dos Trabalhadores na Comissão Nacional de Verdade Sebastião Neto que explicou que entre os temas a serem trabalhados pelo GT estão: o levantamento de sindicatos que sofreram invasão e intervenção, identificação de dirigentes sindicais cassados e presos e o levantamento dos prejuízos causados aos trabalhadores e suas entidades para reparação moral, política e material dos estragos provocados.

Participaram ainda da sessão prestando depoimentos os sindicalistas Raimundo Gomes, do Sindicato dos Petroleiros; Moacir Martins, do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil e os escritores André Nunes e Nazareno Tourinho. Autor de uma peça teatral censurada pelo Regime, Tourinho leu um poema contra a ditadura, que classificou de assassina, desumana, canalha e mentirosa. “Disseram que minha peça foi proibida porque era ofensiva à moral e aos bons costumes. Uma deslavada mentira”, desabafou o escritor. O GT vai apurar a partir de depoimentos dos atingidos pela ditadura as violações de direitos humanos e perseguições que levaram trabalhadores ao ostracismo e desemprego.

 

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