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Hospital Bettina se destaca na realização de transplante de córnea no Pará

O Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza (HUBFS) da Universidade Federal do Pará (UFPA) realizou quase metade das cirurgias de transplante de córnea feitas no Estado, em janeiro deste ano. Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (Sespa) naquele mês ocorreram 16 cirurgias no Pará, das quais sete no HUBFS. Isto representa 43,75% do total de procedimentos. Em 2013, das 238 cirurgias feitas no Pará 29 (12,2%) aconteceram no Bettina. Em 31 de janeiro deste ano, havia 741 receptores de córneas inscritos do Cadastro Técnico Único (CTU) doSistema Nacional de Transplantes (SNT) do Ministério da Saúde (MS) para transplantes no Pará.

Segundo o diretor geral do Bettina Ferro, o médico e sociólogo Paulo Amorim, hoje ocorrem em média quatro transplantes de córnea por mês na instituição e a meta é ampliar o serviço à população atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Embora tenhamos destaque na realização da cirurgia no Estado, queremos dobrar a quantidade do procedimento no hospital ainda este ano. Para isso, existe o compromisso inegável do reitor da UFPA, Carlos Maneschy, que traz na sua gestão como uma das prioridades o incentivo às ações do Bettina. A UFPA está adquirindo material apropriado à realização do transplante de córnea e já contamos com fantástico corpo clínico e técnico, o qual nos possibilita fazer o acompanhamento pré e pós-operatório a médio e longo prazo dos nossos pacientes todos atendidos por meio SUS”, afirma Amorim.

Desde 2011, o Hospital Bettina Ferro está credenciado pelo Ministério da Saúde para realizar o procedimento, por meio da Portaria 474, quando se tornou o primeiro Hospital Universitário da Região Norte a realizar transplante de córnea. Há três anos, já realizou um total de 50 cirurgias. No hospital, os pacientes são cadastrados e atendidos pela lista única da Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO) da Sespa.

Córnea – “A córnea é uma região transparente do olho como se fosse um para brisa de automóvel. Quando ela perde sua transparência (o que pode ocorrer em várias doenças) é preciso trocá-la por uma córnea doadora, para que volte a transparência e a pessoa recupera a visão. Toda cirurgia de olho não deixa de ser um procedimento sério e importante, mas hoje é uma cirurgia feita em ambulatório e o paciente volta no mesmo dia para casa”, explica um dos médicos cirurgiões credenciados à realização do transplante de córnea no HUBFS, Jesu Sinando Filho, que coordena a equipe que realiza o procedimento.

Cuidados – Porém, a recuperação da visão na fase pós-operatória também exige cuidados. “O paciente é acompanhado durante seis meses, recebe alta definitiva e pode voltar às atividades normais. Durante esse tempo, tem que usar colírio, medicação e ter repouso adequado para obter sucesso no transplante. É possível haver rejeição no procedimento, mas é raro”, afirma o oftalmologista.

Serviço Social – O Serviço Social do HUBFS faz parte da equipe multiprofissional que acompanha o paciente antes, durante e depois da realização do transplante. “Orientamos sobre o transplante, Tratamento Fora de Domicílio (TFD) e benefícios ao qual o paciente tem direito. Agilizamos exames, encaminhamos ofícios com ficha de solicitação de córnea de urgência, se for o caso, encaminhamos à CNCDO, via oficio, as informações cirúrgicas do paciente transplantado, e acompanhamos a situação social dos receptores e transplantados. Aquino serviço, o paciente é acolhido e orientado quanto à espera na fila do transplante, atualização de seus dados cadastrais e mostramos como acompanhar sua vez na fila pela internet. Também orientamos que, nas consultas de retorno com um dos médicos da equipe, o paciente procure o serviço para atualizar seus dados e receber informações”, explica Euzenir Magalhães, assistente social do hospital.

Equipe – Outros médicos credenciados ao transplante são Cristina Coimbra, Fabrício Rendeiro, Ingrid Cavalcante e Laise Nunes. Além de Euzenir Magalhães, fazem também parte da equipe multiprofissional a assistente social Elisa Monteiro e a estagiária da UFPA nesta área, Mariely Botelho. Além das enfermeiras Aline Formigosa, Alessandra Avis, Lúcia Di Paula e Núbia Fernanda. O Serviço de Oftalmologia do HUBFS é coordenado pela médica Paula Renata Calluf.

Transplantes – O Pará é um dos estados que realiza transplantes de órgãos e tecido na Região Norte. Nesta são realizados 2% dos transplantes do Brasil, entretanto, estes ainda são praticamente restritos a córneas e rins. O Pará é pioneiro na Amazônia quanto aos transplantes de fígado. Somente no Estado encontram-se aproximadamente 1.681 receptores inscritos, sendo 940 para rins e 741 para córneas, até o último dia 19. Os pacientes que não são transplantados na região são encaminhados para outros Estados brasileiros, via Tratamento Fora de Domicílio, o que gera gastos substanciais, alto impacto social, somado à dificuldade de acompanhamento pós-transplante.

Texto: Cleide Magalhães – Ascom/HUBFS/UFPA

 

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