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Demissões na saúde paralisam serviços públicos em Parauapebas

Já passam de 60 servidores públicos da saúde demitidos do município de Parauapebas em lista divulgada ontem pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). Entre os demitidos há médicos, odontólogos, fisioterapeutas, farmacêuticos bioquímicos, técnicos de laboratório e técnicos em radiologia. O número total de demissões ainda não está fechado porque não há um informe oficial da Prefeitura de Parauapebas, que ontem não mandou representante a uma reunião com os servidores para dar explicações sobre as demissões. A portaria de desligamento dos servidores fere a lei eleitoral, que proíbe contratações e exonerações três meses antes das eleições e até a posse do eleito.

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Ninguém da Prefeitura apareceu para explicar aos funcionários as razões da demissão

Entre os demitidos estão cinco médicos do Pronto Socorro, o que reduz o número de plantonistas de dois a três médicos por turno, o que é incompatível com a demanda. No total, eram 14 médicos plantonistas revezando-se em grupos de quatro, mas já com falta de médicos e vários plantões apenas com três plantonistas. Também foram exonerados os dois médicos do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), deixando os pacientes com HIV, DST e Hepatites B e C sem tratamento.

Na UPA, dos 20 plantonistas médicos foram demitidos nove, dos quais pelo menos três só trabalhavam na UPA dando cobertura à maioria dos plantões. Estima-se por isso que cada turno de plantão que antes funcionava com quatro médicos durante o dia e dois médicos à noite, vá ficar em média com dois médicos de dia e um médico à noite. Havendo turnos sem ninguém porque alguns plantões eram feitos por médicos da Atenção Básica que trabalham durante o dia.

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Funcionários do HGP, que não receberam seus vencimentos da Gamp, também reforçaram o movimento na Semsa

Na lista de demitidos estão ainda 18 odontólogos, restando somente doze concursados, deixando descobertas mais de 20 unidades de saúde, incluindo cinco Estratégias Saúde da Família, onde o serviço é obrigatório.

Dos onze fisioterapeutas oito foram demitidos. Estes já eram somente 11 profissionais para a rede de saúde, sendo apenas duas concursadas. Com as demissões, não tem como manter o atendimento domiciliar nem o atendimento de Fisio em Ortopedia e a estimulação precoce. Quando todos estavam atendendo a lista de espera já era de 1.282 pessoas, quando passou para seis horas essa lista de espera aumentou mais ainda. Agora não haverá mais tratamento.

Estão ainda na lista de exonerações nove farmacêuticos bioquímicos (seis dos laboratórios e três das farmácias) e seis técnicos de laboratório. O número desses profissionais já era insuficiente, havendo um tempo de espera de cerca de 3h para exames de urgência na UPA. O Laboratório da UPA fechou ontem com as demissões ficando suspensa a realização de exames. No laboratório municipal, onde são atendidos em média 333 pacientes por dia, foram demitidos três bioquímicos e três técnicos de laboratório, uma redução de 22% do corpo técnico, que inviabiliza o serviço.

A Farmácia do Hospital Municipal, Farmácia Popular no Rio Verde e Farmácia da Policlínica terão que fechar, pois por norma do Conselho de Farmácia e do Ministério da Saúde não podem dispensar medicação sem Farmacêutico.

Foram demitidos ainda cinco técnicos em radiologia, agravando a situação de sobrecarga de trabalho e havendo risco de ficar plantão sem cobertura de radiologia. Originalmente, eram 10 técnicos em radiologia, que mesmo nesse número cumpriam jornada de trabalho acima do permitido por lei, devido à exposição à radiação. A assessoria jurídica do Sindmepa já está preparando ação civil contra as demissões de médicos pela Prefeitura.

 

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