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Equoterapia traz melhorias para pacientes autistas

“Quando recebi a indicação de terapeutas e médicos de que meu filho autista deveria fazer equoterapia, não imaginava que conquistaríamos resultados tão maravilhosos, que ele começaria a interagir, perder o medo dos animais, melhorar a postura e ter mais autonomia”. O depoimento emocionado é de Isabel Melo, mãe de João Vitor, de 10 anos, paciente do Programa de Equoterapia, realizado pela Polícia Militar do Pará.

Hoje, além de João Vitor, outras 79 crianças são atendidas pelo programa, que existe há mais de 20 anos no Pará. Entre pacientes com paralisia cerebral, Síndrome de Down e outras patologias, grande parte possui Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Ao todo, são 27 crianças nessas condições.

O tratamento, que se mostra bastante eficaz, é elogiado principalmente pelos pais dessas crianças e adolescentes, que não escondem a felicidade ao perceber a melhora de seus filhos a cada sessão. “Quando chegamos aqui para a primeira vez do João, fiquei muito ansiosa, ele tinha medo de animais, achei que não ia subir no cavalo, mas me enganei. A equipe multiprofissional é muito boa, dá toda atenção e tem muita paciência. Tive uma surpresa muito boa ao descobrir esse tratamento. Todos eles são maravilhosos, só tenho a agradecer”, complementou Isabel Melo.

Sobre os benefícios para os pacientes de TEA, a 1º tenente Patrícia Ribeiro, terapeuta ocupacional e coordenadora do programa, detalha. “Logo na primeira cessão podes perceber melhoras. É um momento que emociona muito, principalmente aos pais, pelo empoderamento que traz para essas crianças, que são tão cheias de restrições. Montar num cavalo, ser conduzida por ele e até mesmo conduzi-lo sozinha deixa os pais empolgados por perceber a capacidade dos seus filhos, e as conquistas vêm a cada semana: aceitação aos animais, ida à praia, tolerância a sons, texturas, cheiros. Alguns pais relatam que seus filhos conseguiram ir à praia após o tratamento, já que o picadeiro onde realizam a andança com o cavalo é coberto por areia”, explicou.

O contato e a relação social, muito discreto para quem tem autismo, também é melhorado com o tratamento. “Eles começam a criar relação com o animal, com os técnicos, condutores, outros praticantes. É um estímulo grande a linguagem e a comunicação, a integração sensorial e modular, os estímulos oferecidos a essa criança, todos transportados para o cotidiano deles, melhorando a coordenação motora, mobilidade, o vestir-se sozinho, o comer, estimulando a independência e a autonomia dessas crianças”, complementou a terapeuta ocupacional.

O tratamento na Equoterapia tem uma procura tão grande que hoje, a fila de espera é de mais de 300 pessoas, que aguardam para iniciar o tratamento. O tenente coronel Márcio Fernandes, diretor da Unidade de Reabilitação da PMPA, exalta o trabalho. Temos aqui 13 militares e oito profissionais cedidos pela Casa Civil, que é nossa parceira nesse serviço, que age para reabilitar pessoas. São psicólogos, terapeutas ocupacionais, que trabalham diretamente com os pacientes. Atendemos cerca de 80 pessoas ao longo da semana e sempre que uma finaliza seu ciclo, formado por 30 sessões, chamamos o próximo que está aguardando, nós não paramos. Hoje também realizamos esse trabalho no Centro de Castanhal, atendendo 42 pessoas, e em Santarém, onde temos 16 pacientes”.

“Nesse trabalho podemos realizar o papel de polícia cidadã, promovendo a saúde e a inclusão social dessas crianças, o que é uma experiência e energia única. Ter retorno dos pais da melhora dessas crianças, da vida delas, é maravilhoso”, finalizou o diretor da unidade.

O Programa

A Polícia Militar do Pará atende há 24 anos pessoas com deficiência no Centro Interdisciplinar de Equoterapia (CIEQ-Belém). As atividades são desenvolvidas por uma equipe multidisciplinar, que utiliza o cavalo e o ambiente equestre com finalidade terapêutica, educacional, esportiva e social nas áreas da saúde, educação e equitação, promovendo a sua inclusão social.

O projeto pioneiro e gratuito atende militares estaduais, seus dependentes e também a sociedade civil, por meio de parceria com a Casa Civil. Os participantes são atendidos uma vez na semana, em sessões de 30 minutos. O trabalho com os participantes é individualizado e cada um tem metas específicas a atingir, mas todos compartilham o picadeiro, ambiente onde as atividades são realizadas.

Os profissionais atuantes na equoterapia são formados em cursos oferecidos pela Associação Nacional de Equoterapia (Ande), sediada em Brasília, além de participarem de cursos regulares para aperfeiçoamento das técnicas em todas as áreas de atuação.

A equoterapia é indicada na integração emocional e educacional de portadores de vários tipos de transtornos ligados ao contato pessoal com o meio em que se vive e com o outro. O objetivo dessa técnica e método terapêutico é motivar a inclusão social de quem vivencia essas dificuldades.

Serviço:
As inscrições em Belém são realizadas todos os dias, de segunda a sexta-feira, de 8h às 13h. Os pais ou responsáveis devem ir até a sede do Centro, localizado na Rodovia do Mangueirão, Km 01 (Rua ao lado do IML), munidos de documentos de identificação, comprovante de residência e a indicação do médico ou terapeuta para o tratamento.

Por Heloá Canali/Ag. Pará

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